domingo, 2 de outubro de 2016

Que medo te protege?



O caminhar é tão instável, inseguro.
Cada passo é incerto.
Me acostumei com essa distância, fui só.
Mas as marcas não somem, são bases, estruturas.

O muro me desafia, me provoca, me cobra.
Correntes de medo e angústia me enlaçam e me prendem.
Ora, como se eu não pudesse soltá-las com um simples sopro!
Quem é que segura quem?
Quiça eu mesma a esteja segurando,
Com as unhas fincadas,
Como se o cárcere trouxesse mísera proteção.

Como se o medo fosse escudo de ferro.
Mas o medo é um leito de pregos coberto de pétalas.
É um polvo ao mar,
Camuflado, em falsa calmaria, que antecede o ataque.

Que medo te protege?
Que mentira te livra de você mesmo?






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